A história de Aline Ghammachi, freira brasileira natural do Amapá, ganhou destaque internacional ao ser afastada do cargo de madre-abadessa do Mosteiro San Giacomo di Veglia, na Itália, após uma denúncia anônima enviada ao Papa Francisco. A carta acusava Aline de maus-tratos, manipulação e desvio de recursos, alegações que ela nega veementemente.
Em resposta, Aline acionou a Justiça italiana e o Tribunal Eclesiástico do Vaticano, buscando reverter a decisão e limpar seu nome. Ela afirma que a denúncia partiu de quatro freiras, incluindo a responsável pelas noviças, e que teria motivações pessoais e internas. Segundo Aline, ela possui provas comprometedoras contra as autoras, incluindo registros que mostrariam uso de sites pornográficos em equipamentos da comunidade.
Aline também alega ter sido alvo de comentários machistas e preconceituosos por parte do abade geral da Ordem Cisterciense, Mauro Giuseppe Lepori, que teria dito que ela era “bonita demais para ser freira” e que ninguém acreditaria nela por ser mulher, jovem e brasileira. Ela acredita que esses fatores influenciaram negativamente sua liderança e contribuíram para sua destituição.
Durante sua gestão, Aline implementou projetos sociais significativos, como a criação de uma horta comunitária e apoio a mulheres vítimas de violência, além de promover a autonomia financeira do mosteiro por meio da produção de prosecco. Ela destaca que essas iniciativas foram bem recebidas pela comunidade e não houve irregularidades financeiras, conforme atestado por auditorias realizadas.
A decisão de afastamento gerou repercussão entre as religiosas do mosteiro, resultando na saída de várias freiras em solidariedade a Aline. Ela agora busca apoio para retomar sua missão religiosa e continuar seu trabalho em prol da comunidade.
Este caso levanta questões sobre o papel da mulher na Igreja Católica, a transparência nas instituições religiosas e a necessidade de uma abordagem mais justa e equitativa para todos os membros da comunidade eclesiástica.